álcool e corrida

De um lado, algumas das bebidas mais apreciadas no Brasil e no mundo: cerveja, vinho, vodka… Do outro, a corrida, um dos exercícios mais indicados para manter a saúde em dia e queimar calorias. Você pode até gostar dos dois, mas precisa saber que álcool e corrida não combinam muito bem!

Misturar a prática de correr com o consumo de bebidas alcoólicas pode prejudicar o seu desempenho, causar mal-estar e, pior ainda, trazer problemas para a sua saúde. Abaixo, veja como isso acontece e descubra como equilibrar o prazer do álcool com os benefícios da corrida!

Quais são os riscos da combinação álcool e corrida?

Queda da resistência

Beber antes de correr definitivamente não é uma boa ideia. Para realizar uma atividade física, você necessita de disposição e energia, não é mesmo? Então pense: depois de beber muito, como ficamos? Isso mesmo: cansados, esgotados e sonolentos.

O álcool funciona como um relaxante muscular, interferindo na sua força e resistência para atividades físicas. Isso porque a absorção da bebida pelo organismo produz o aldeído — um tóxico para o tecido neurológico que resulta em fadiga e atrapalha o rendimento corporal.

Todavia, a prática de exercícios físicos como a corrida deve ser sempre feita com muita atenção, cuidado e preparação — por esse motivo, é essencial contar com o auxílio de um profissional, afinal, estamos falando da sua saúde.

Por fim, mesmo que você ainda tenha ânimo de correr após ingerir álcool, saiba que o melhor é ficar quieto. A bebida atinge a função psicomotora, resultando em movimentos mecânicos bem menos eficientes e sujeitando o corredor a riscos de lesões.

Isso sem falar, é claro, do perigo de correr ainda sob os efeitos mais fortes do álcool: dores de cabeça e quedas são uma certa.

Hidratação prejudicada

Além dos motivos mencionados acima, beber antes de correr vai afetar a atividade de outra maneira. Se um corredor resolve, por exemplo, tomar uma cerveja, deve entender que isso atrapalhará o processo de hidratação, já que o álcool estimula a diurese ao inibir a produção do hormônio antidiurético.

Assim, depois de perder água e sais minerais durante o exercício, a pessoa terá grande dificuldade para a reposição, uma vez que continuará eliminando ambos pela urina. O resultado não é nada legal: uma desidratação daquelas.

Fígado sobrecarregado

A mistura entre álcool e corrida tem como um dos mais cruciais e perigosos efeitos o comprometimento do funcionamento do fígado.

Trata-se do principal órgão de armazenamento concentrado de glicogênio, que é a glicose estocada no organismo. Essa, por sua vez, é fundamental para suprir o período de intervalo entre as refeições ou mesmo durante dietas.

Pois bem, se você beber — mesmo que não seja poucas horas antes — e partir para o treino, seu fígado estará em plena atividade para eliminar o álcool (que ele entende ser uma substância tóxica para o corpo) e deixará de lado a liberação do glicogênio — essencial para a prática esportiva.

Resultado: você estará sujeito à hipoglicemia, condição que causará tonturas e até desmaios.

Piora no desempenho

A corrida exige bastante de vários músculos do corpo, não é mesmo? Certamente, esse é um dos fatores que te estimulou a buscar essa prática para manter a forma e fugir do sedentarismo.

Diversos estudos, no entanto, evidenciam como o álcool pode comprometer a recuperação muscular. Isso porque, para que a contração muscular aconteça, são necessários íons cálcio — e, adivinhe: o álcool dificulta a entrada do cálcio no músculo, o que prejudica a contração, piora o desempenho do corredor e afeta seriamente o fortalecimento do seu corpo.

Redução da massa magra

Suponhamos que Fernanda adore correr, mas também goste de sair com as amigas para tomar uma cerveja no bar. Ela sabe que consumir álcool antes da corrida atrapalha seu desempenho, mas acha que, após o último treino forte da semana, na sexta-feira ou no sábado, pode beber sem problemas. Ela está certa? Não!

Muitos corredores sentem que, após uma corrida intensa, cumpriram seu dever e podem “cair na gandaia”. Isso é frequente nos finais de semana: depois de um treino puxado de dia, vão para a balada à noite e ingerem uma grande quantidade de álcool, sem saber o quão prejudicial isso pode ser.

De certa maneira, a atividade física não para depois que você encerra a corrida. Seu corpo continua trabalhando, e o que você consome nesse período é importante para consolidar os efeitos da atividade e atingir os seus objetivos.

Álcool e corrida não combinam até mesmo após o exercício, já que a bebida faz com que o corpo necessite de outras fontes de energia para metabolizar sua ingestão. O resultado disso é que o organismo se vê obrigado a recorrer ao estoque proteico muscular, causando a perda de massa magra.

Além disso, vale lembrar que o álcool é altamente calórico. Para piorar, suas calorias são consideradas “vazias”, pois não são fonte de nenhum nutriente importante e são rapidamente absorvidas pelo organismo, o que favorece o aumento da gordura corporal.

Logo, pode ser um problema se você quiser conciliar boa alimentação e exercícios físicos para conquistar uma vida mais saudável.

Como equilibrar álcool e corrida?

Diante de tantos efeitos negativos, você deve estar se perguntando: se eu quiser correr, terei que cortar de vez o álcool? Calma, não é preciso tomar medidas drásticas! O álcool não é um vilão por si só — desde que consumido com moderação.

Segundo estudos baseados em dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo moderado diário de álcool deve ser de uma dose para mulheres e duas para homens. Para ficar mais claro: uma dose equivale de 10 a 15 gramas de etanol — ou 90 ml de vinho tinto e 125 ml de vinho branco.

O consumo equilibrado de vinho, por exemplo, pode diminuir a pressão arterial, aumentar o colesterol bom e prevenir tromboses.

Por isso, você não precisa abrir mão de beber. Mas, se quiser correr da melhor maneira possível, sem riscos para sua saúde e com ganhos visíveis, o ideal é não consumir álcool 72 horas antes da atividade e até 48 horas depois.

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Fernando Sardinha
Escrito por Fernando Sardinha